segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Amazônia já está entrando em pane, afirma cientista (Folha de São Paulo)

Com 20% da floresta desmatada outros 20% degradados, a floresta amazônica já começa a falhar em seu papel de regulação do clima da América do Sul, diz o biogeoquímico Antônio Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
A pedido de ONGs ambientalistas coordenadas pela ARA (Articulação Regional Amazônica), Nobre publicou um relatório revisando 200 estudos sobre o cenário de pesquisa na área, e concluiu que a floresta já dá sinais de desgaste em seu papel de bombear umidade do oceano para o interior da América do Sul, entre outros problemas.
O papel de "bomba d'água biótica" que a floresta exerce, demonstrado por trabalhos anteriores do próprio Nobre, pode estar em risco.
A consequência disso, afirma o cientista, é que chuvas dentro do bioma e também num polígono ao sul do continente, a leste dos Andes, podem não chegar com a mesma regularidade.
Para reverter a situação, Nobre diz que a solução é não apenas parar o desmatamento mas também iniciar um amplo processo de reflorestamento, pois a seca que a região Sudeste vive hoje já pode ser resultado da destruição da Amazônia.
Nobre diz ter ficado "assombrado" com a quantidade de evidências recentes que encontrou para esse fenômeno em estudos de revisão publicados em revistas científicas indexadas. Mas preferiu publicar suas conclusões primeiro em um relatório em linguagem voltada ao público em geral.
"Falar disso para os cientistas é meio como pregar o pai-nosso para o vigário", disse Nobre ontem num evento em São Paulo, onde o trabalho foi lançado. A decisão de publicar um estudo em linguagem acessível também se deu por uma vontade de prestar contas de suas pesquisa à sociedade, diz o cientista.
"É uma decisão arriscada da minha parte, mas o 'peer review' [sistema de revisões independentes adotado por revistas científicas técnicas] dificulta muito esse tipo de analise integrativa", afirmou.
O relatório de Nobre, intitulado "O Futuro Climático da Amazônia", cita trabalhos mais atualizados do que aqueles apresentados no último relatório do IPCC (painel do clima da ONU), por exemplo, que não previa problemas tão graves na região.
O painel foi mais reticente em afirmar, por exemplo, que a Amazônia pode se transformar em uma savana no futuro, impulsionada pelo aquecimento global, conclusão antes tida como mais segura.
"Como nenhum modelo climático atual incorpora os mecanismos e os efeitos previstos pela teoria da bomba biótica de umidade, principalmente nos potenciais efeitos das mudanças na circulação do vento, suas projeções podem ser incertas", escreve Nobre no relatório.
Para o cientista, outro fator também vinha sendo subestimado em alguns modelos matemáticos que tentam reproduzir a interação entre a floresta e o clima: a degradação florestal, os trechos de vegetação que já perderam boa parte de suas árvores e sua biodiversidade, mas que aparecem como floresta intacta em fotos de satélites.
Isso faz com que 40% da floresta esteja prejudicada em diferentes níveis, porcentagem similar à que alguns estudos previam como o ponto de virada no qual a floresta não mais conseguiria se sustentar sozinha, incapaz de garantir a própria umidade.
"A gente já está chegando nesse 'tipping point', e a capacidade de compensação do sistema não está mais aguentando", diz.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Novo estudo analisa o futuro climático da Amazônia - INPE

Pela primeira vez, um mesmo relatório reúne e analisa informações de aproximadamente duzentos dos principais estudos e artigos científicos sobre o papel da floresta amazônica no sistema climático, na regulação das chuvas e na exportação de serviços ambientais para áreas produtivas, vizinhas e distantes da Amazônia. 



Lançado no dia 30/10/14, na cidade de São Paulo, o relatório intitulado “O Futuro Climático da Amazônia” conclui que a redução do desmatamento não basta para garantir as funções climáticas do bioma. 
Além de manter a floresta amazônica a qualquer custo é preciso confrontar o passivo do desmatamento acumulado e começar um amplo processo de recuperação do que foi destruído, que somente no Brasil equivale a uma área de 184 milhões de campos de futebol”, defende o pesquisador Antonio Donato Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo relatório. 

A análise revela o potencial climático da floresta pristina, chamada pelos cientistas de “oceano verde”, e os impactos de sua destruição com o desmatamento e o fogo. Aponta ainda as ações para conter os efeitos no clima provocados pela ação humana sobre a maior floresta tropical do mundo. 

O trabalho inova ao revelar os segredos que fazem da Amazônia um sistema único no planeta, com funções que começam a ser compreendidas pelos cientistas. O primeiro deles é que a floresta mantém úmido o ar em movimento, o que leva chuvas para as regiões interiores do continente, distantes milhares de quilômetros do oceano”, informa Nobre. 

A Amazônia, explica o pesquisador, tem outra peculiaridade. Ela ajuda a formar chuvas em ar limpo. É que as árvores emitem aromas a partir das quais se formam sementes de condensação do vapor d’água, cuja eficiência na nucleação de nuvens resulta em chuvas fartas e benignas. Além de manter o ar úmido sobre si mesma, a floresta amazônica exporta essa umidade por meio de rios aéreos de vapor, os chamados “rios voadores”, que irrigam o Sudeste, Centro-oeste e Sul do Brasil e áreas como o Pantanal e o Chaco, além da Bolívia, Paraguai e Argentina. “Sem os serviços da floresta, essas produtivas regiões poderiam ter um clima inóspito, tendendo a desértico”, diz o autor. 

Segundo Nobre, essa competência de regular o clima se dá principalmente pela capacidade inata das árvores de transferir grandes volumes de água do solo para a atmosfera através da transpiração. São 20 bilhões de toneladas de água transpiradas ao dia, o equivalente a 20 trilhões de litros. Para se ter uma ideia, o volume despejado no oceano Atlântico pelo rio Amazonas é de pouco mais de 17 bilhões de toneladas diariamente. “As árvores funcionam como gêisers de madeira, jorrando esse volume absurdo de água vaporosa na atmosfera”. 

Nobre explica que a ideia de avaliar diversos estudos e condensar suas conclusões em um único relatório foi motivada por um pedido da Articulación Regional Amazónica(ARA), uma iniciativa não governamental que reúne organizações dos países amazônicos para discutir e combater o desmatamento. 

Danos e mitigação 

Uma nova teoria física descrita no relatório sustenta que a transpiração abundante das árvores, casada com uma condensação fortíssima na formação das nuvens e chuvas – condensação essa maior que aquela nos oceanos contíguos –, leva a um rebaixamento da pressão atmosférica sobre a floresta, que suga o ar úmido sobre o oceano para dentro do continente, mantendo as chuvas em quaisquer circunstâncias. 

Para Nobre, todos esses efeitos favorecedores, em conjunto, fazem da floresta a melhor e mais valiosa parceira de todas as atividades humanas que requerem chuva na medida certa, um clima ameno e proteção de eventos extremos. “Mas o desmatamento pode colocar todos esses atributos da floresta em risco. Reconhecidos modelos climáticos anteciparam variados efeitos danosos do desmatamento sobre o clima, previsões que vêm sendo confirmadas por observações. Entre elas estão a redução drástica da transpiração, a modificação na dinâmica de nuvens e chuvas e o prolongamento da estação seca nas zonas desmatadas. Outros efeitos não previstos, como o dano por fumaça e fuligem à dinâmica de chuvas, mesmo sobre áreas de floresta pristina, também estão sendo observados”, diz o autor do relatório. 

Nobre ressalta que estudos sugerem que a floresta, na sua condição original, resistiu por dezenas de milhões de anos e tem grande resistência a cataclismos climáticos. “Mas quando é abatida ou debilitada por motosserras, tratores e fogo sua imunidade é quebrada”. Em seus cálculos, Nobre afirma que a ocupação da Amazônia já destruiu no mínimo 42 bilhões de arvores, ou seja, mais de 2.000 arvores por minuto –ininterruptamente - nos últimos 40 anos. “O dano de tal devastação já se faz sentir no clima próximo e distante da Amazônia, e os prognósticos indicam agravamento do quadro se o desmatamento continuar e a floresta não for restaurada”. 

Entre as medidas mitigadoras, o relatório propõe “universalizar o acesso às descobertas científicas que podem reduzir a pressão da principal causa do desmatamento: a ignorância”. 

Para José Marengo, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e colaborador do INPE em projetos na área de mudanças climáticas, a floresta Amazônica certamente tem um papel importante na regulação no clima regional e global e também nos transportes de umidade para grandes regiões da América do Sul. 
Este relatório apresenta e avalia muito bem as pressões sobre a região, e as possíveis consequências do desmatamento nos sistema naturais e humanos. Apresenta também uma visão clara sobre as vulnerabilidades do bioma Amazônia no presente e no futuro, e discute as medidas que devem ser implementadas para estancar a degradação da floresta”, diz Marengo. 

Jean Ometto, coordenador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do INPE, ressalta que a relação entre o homem e bens naturais deve resgatar sinergias positivas, que pautaram diversos momentos, e civilizações, ao longo da evolução da presença humana no planeta. 
Os efeitos de ações unilaterais, de interesses vis, ou efêmeros, são danosos e têm reflexos muito além das fronteiras destas ações, como mostrado nesse relatório, que faz um alerta sério sobre a importância de olhar, pensar e agir no planeta de forma integrada”, fala Ometto.

Fonte: http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=3749

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Tudo é água - Planeta Sustentavel

Brasil tem a maior reserva de água doce do planeta. Concentram-se aqui 12% de todos os recursos hídricos globais. O que explica, então, a crise de abastecimento pela qual passa o Estado de São Paulo, o mais populoso e rico do país? 

seca histórica que atinge o Sudeste há dois anos, a maior dos últimos 84 anos, efeito contínuo de uma massa de ar quente que estacionou na região, justifica parte do problema. Mas não é prudente atribuir o baixo nível de água apenas às mudanças climáticas pelas quais passa a Terra, e que fazem proliferar climas extremos


O Brasil é exemplo de descaso na administração de seus recursos hídricos. Em todo o país, desperdi­çam-se 40% da água captada, que vaza por encanamentos precários, de manutenção quase inexistente. Em São Paulo, a perda é de 31,2%. É falha que poderia ser corrigida com melhorias anunciadas desde 2004, quando o estado passou por crise similar. 

Muito pouco foi feito. Sem o desperdício, haveria água de sobra. O descaso, porém, não é exclusividade brasileira. Países como China e Índia descuidam de suas reservas, usando-as sem critério. Com isso, o planeta vê dezenas de trilhões de litros indo pelo ralo. 


É assustador observar como tratamos o elemento essencial à vida, limitado e insubstituível. Se gastarmos todos os combustíveis fósseis que existem, teremos outrasfontes energéticas, como a solar e a eólica. Vivemos dezenas de milhares de anos sem combustíveis fósseis. Sobrevivemos, e sobreviveríamos sem eles. Mas, se dermos cabo dos estoques de água, não haverá alternativa. Água é tudo.

Estima-se o valor do atual mercado global de água doce em 425 bilhões de dólares. Se o estoque um dia acabar, o que é muito improvável, ou for seriamente comprometido, o que é possível, entrará em risco a sobrevivência da humanidade. Tomem-se os atuais exemplos de São Paulo e Minas Gerais para entender que danos, ainda plenamente administráveis, a falta d’água pode provocar.



Na capital paulista, pesquisa Datafolha divulgada recentemente revelou que 60% dos moradores ficaram sem água nos últimos trinta dias. No interior, o cenário se agrava. Alguns municípios, a exemplo de Cristais Paulista, multam quem desperdiça água. Em Itu, há protestos de rua, e caminhões-pipa precisam de escolta para não ser atacados. Ao prejudicar a economia e o abastecimento, a seca dá início a perigosos conflitos.


Desde 1990, a disputa por água foi motivo de 2200 conflitos diplomáticos, econômicos ou militares pelo planeta. A tensão deve se intensificar. A ONU calcula que faltará água limpa para 47% da população global até 2030. Diz o urbanista americano Michael Klare, autor do livro The Race for What’s Left (em inglês, A Corrida pelo que Sobrou), sobre disputas por recursos naturais: "A água virou o novo combustível fóssil, causa de batalhas ferrenhas. Guerras que aumentarão em número e dimensão, já que a demanda cresce, enquanto a oferta diminui".

A resposta para a crise hídrica parece simples: temos de consumir menos e diminuir drasticamente o desperdício. Mas são atitudes difíceis de ser implantadas, já que dependem de uma mudança radical de costumes. A demanda de água per capita nos Estados Unidos ultrapassa os 500 litros, dez vezes o recomendado pela ONU. Enquanto isso, áreas pobres quase não têm acesso ao recurso. Moçambique é dono de um dos piores cenários, onde há apenas 4 litros de água limpa por morador.

Para controlar o gasto, todo cidadão precisa rever seus hábitos cotidianos, como deixar a torneira aberta enquanto escova os dentes ou tomar longos banhos. Mas soa injusto cobrar exclusivamente uma nova postura individual. São essenciais também políticas públicas que repreendam o desperdício. 

A Califórnia é exemplo mundial nesse aspecto. São Paulo vê secar seu principal reservatório, o da Cantareira, cujo nível está em 3%. Seu primeiro estoque de volume morto, cota que repousa no fundo das represas, abaixo do túnel que costuma drenar a água, e, por isso, mais suja que o usual, deve desaparecer no próximo mês. 

A segunda parcela segurará o abastecimento por poucos meses. Enquanto isso, o governo promete entregar obras que aumentarão a captação de água, e já se cogitou importar recursos hídricos de outros estados. São apenas paliativos, que em nada ajudarão a longo prazo se o desperdício não for controlado. Para o Brasil e para o mundo, a crise da água serve como alerta. Se não cuidarmos dos escassos recursos que temos, desenharemos um futuro cada vez mais árido.


Fonte:http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/tudo-agua-807918.shtml

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Os Efeitos Do Aquecimento Global - By Nathional Geographic

O planeta está aquecendo, do Polo Norte ao Polo Sul, e todo o resto. Os efeitos do aumento das temperaturas não estão à espera de um futuro longínquo eles estão acontecendo agora. Sinais estão aparecendo por toda parte, e alguns deles são surpreendentes.
O calor não está apenas derretendo as geleiras e o gelo do mar, está também precipitando mudanças nos padrões de chuva e colocando os animais em movimento.
Alguns impactos do aumento das temperaturas já estão acontecendo.

O gelo está derretendo no mundo inteiro, especialmente nos polos da Terra. Isto inclui as geleiras das montanhas, as camadas de gelo que cobrem a Antártida Ocidental e da Groelândia, em especial o gelo do Oceano Ártico.

O pesquisador Bill Fraser tem monitorado o declínio dos pinguins-de-adélia na Antártida, onde seus números caíram de 32.000 casais reprodutores para 11.000 em 30 anos.
Elevação do nível do mar tornou-se mais rápida ao longo do século passado.
Algumas borboletas, raposas e plantas alpinas mudaram mais para o norte ou para áreas mais altas e mais frias.
Precipitação (chuva e neve) tem aumentado em todo o mundo, em média.
Surto de besouros de casca de abeto no Alaska, graças a 20 anos de verões quentes. Os insetos têm mastigado 4 milhões de hectares de abetos.
Outros efeitos poderiam acontecer no final deste século, se o aquecimento continuar.
Os níveis do mar devem subir entre 18 e 59 centímetros até o final do século, e o contínuo derretimento nos polos poderá acrescentar entre 10 a 20 centímetros.
Furacões e outras tempestades tendem a se tornarem mais fortes.

Espécies que dependem umas das outras podem ficar fora de sincronia. Por exemplo, plantas podem florescer mais cedo do que seus insetos polinizadores tornarem-se ativos.
Inundações e secas se tornarão mais comuns. Chuvas na Etiópia, onde as secas já são comuns, pode diminuir em 10 por cento ao longo dos próximos 50 anos.
Menos água doce disponível. Se a camada de gelo de Quelccaya no Peru continuar a derreter na sua taxa atual, terá desaparecido em 2100, deixando milhares de pessoas que dependem dela para beber água potável e eletricidade sem qualquer uma das fontes.
Algumas doenças vão se espalhar, como a malária, transmitida por mosquitos.

Ecossistemas irão mudar - algumas espécies se moverão mais ao norte ou serão mais bem sucedidas e sua adaptação as novas condições, outras não serão capazes de se mudarem e assim tornar-se-ão extintas. O pesquisador de vida selvagem, cientista Martyn Obbard descobriu que desde meados da década de 1980, com menos gelo no qual vivem e peixe para a alimentação, os ursos polares estão consideravelmente mais magros. O biólogo Ian Stirling encontrou um padrão semelhante na baía de Hudson. Ele teme que, se o gelo do mar desaparecer, os ursos polares também desaparecerão.

Fonte:http://environment.nationalgeographic.com/environment/global-warming/gw-effects/

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Cientistas fazem projeções de clima mais quente no Brasil neste século - Por Bruno Bocchini da Agência Brasil

São Paulo – O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, organismo científico criado pelo governo federal em 2009, publicou em 09/09/2013 o primeiro de três estudos sobre os impactos do aquecimento global no Brasil. As projeções, de forma geral, mostram que haverá alta nas temperaturas do país no decorrer do século, diminuição das chuvas no Norte e Nordeste e aumento de chuva no Sul e Sudeste. As mudanças no volume de chuva podem oscilar entre 5% e 20% e na temperatura de 1 grau Celsius (°C) a 5°C na temperatura até o final do século dependendo do aquecimento global e da emissão de gases de efeito estufa.


As projeções indicam mais secas prolongadas, principalmente nos biomas da Amazônia, Cerrado e Caatinga. “Levando em conta só o Brasil, todas as projeções indicam que o Norte e Nordeste são as regiões que devem ter uma condição de menos chuva e mais temperatura

No entorno do Semiárido [clima que predomina no interior dos estados nordestinos], onde já chove pouco, isso torna a situação preocupante. Inclusive com a possibilidade de uma transformação da área para desértica”, destaca um dos coordenadores do painel, Tércio Ambrizzi, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP).

Na Amazônia, segundo o estudo, haverá redução em 10% no volume de chuvas e aumento de temperatura de 1 ºC a 1,5°C até 2040. Haverá diminuição de 25% a 30% nas chuvas e alta de temperatura entre 3°C e 3,5°C no período de 2041 a 2070; e redução nas chuvas de 40% a 45% e aumento de 5°C a 6°C na temperatura no final do século (de 2071 a 2100).

O estudo mostra que o desmatamento pode agravar a situação. A derrubada das matas elevará ainda mais a temperatura e diminuirá a umidade. “Constitui-se condições propícias à savanização da Amazônia, um problema mais crítico na região oriental [da floresta]”, destaca o texto do estudo.

Na Caatinga, deverá haver aumento de 0,5°C a 1°C de temperatura e decréscimo entre 10% a 20% de chuva durante as próximas três décadas (até 2040). A região terá crescimento gradual de temperatura de 1°C a 2,5°C e diminuição entre 25% e 35% nos padrões de chuva de 2041 a 2070. No final do século (2070 a 2100), o bioma estará significativamente mais quente (aumento de 3,5°C a 4,5°C) e com agravamento do déficit hídrico, com diminuição de quase metade, 40% a 50%, das chuvas. “Essas mudanças podem desencadear o processo de desertificação da Caatinga”, ressalta o documento.
No Cerrado, haverá aumento de 1°C na temperatura e diminuição entre 10% a 20% das chuvas nas próximas três décadas. Em meados do século (2041 a 2070), estima-se alta de temperatura de 3°C a 3,5° e queda de 20% a 35% de chuva. No fim do século, o aumento de temperatura atinge valores de 5°C e 5,5°C e a redução de chuva será mais crítica (entre 35% e 45%).

Em 30 anos, o Pantanal deverá ter acréscimo médio de 1°C na temperatura e diminuição entre 5% e 15% nos padrões de chuva. A tendência de queda das chuvas continua no meio do século, entre 10% e 25%, e aumento de 2,5°C a 3°C. Após 2070, predominarão condições de aquecimento intenso (elevação de 3,4°C a 4,5°C) com diminuição acentuada nos padrões de chuva (35% a 45%).

O nordeste da Mata Atlântica terá alta de aquecimento (entre 2°C e 3°C) e baixa pluviométrica (entre 20% e 25%) maior em meados do século. Para o final do século, as condições estimadas são semelhantes. Na porção sul e sudeste da Mata Atlântica, a temperatura deverá subir entre 2,5°C e 3°C no final do século.

Na região dos Pampas, as projeções são as seguintes: 5% a 10% mais chuvoso e 1°C mais quente até 2040; aquecimento entre 1°C e 1,5°C e intensificação das precipitações de 15% a 20% no meio do século; e no final, alta de 2,5°C a 3°C e aumento de 35% a 40%.



"Em função do tipo de economia brasileira, que é uma economia agrícola, é preocupante esse cenário. Nós vamos ter o impacto muito grande em termos de nossas plantações. Soja, café, milho, vão ter de se deslocar, de onde são plantados hoje, para outras regiões mais adaptadas, com temperatura mais amena e umidade de solo e de precipitação diferentes", destaca Ambrizzi.

As projeções do painel demandaram três anos de estudos e envolveram mais de 300 cientistas brasileiros.

fonte: http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-09-09/cientistas-fazem-projecoes-de-clima-mais-quente-no-brasil-neste-seculo

O que a Califórnia tem para ensinar sobre o uso consciente de água?

A cidade de Sacramento, capital do rico estado norte americano, também sofreu com escassez, mas tomou medidas para incentivar a redução do consumo de água

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Engana-se quem pensa que o pioneirismo e referência do maior e mais rico estado dos Estados Unidos se restrinja ao cinema ou ao segmento agrário. A Califórnia também tem revelado pulso firme diante da rígida seca enfrentada não apenas por ela, como por muitos vizinhos norte-americanos.




Exibido no Programa Cidades e Soluções no começo de outubro, o caso de Sacramento, capital da Califórnia, chama atenção pela simplicidade e eficiência das medidas educativas adotadas.

Uma das providências iniciais do Departamento de Conservação de Água da região de Sacramento, capital do Estado, foi abandonar os tradicionais e emblemáticos gramados em frente às residências. Comprovou-se que metade da água consumida nas moradias envolve a manutenção dessas áreas e a lavagem de carros. Com a água economizada, surge a possibilidade de abastecer as muitas árvores espalhadas pela cidade.

Criado em março deste ano, o programa Cash for Grass, cuja tradução é algo como “Troque sua grama por dinheiro”, paga ao morador uma quantia em dinheiro proporcional à área do jardim substituída por arbustos nativos, que além de oferecer sombra, necessitam de pouca água. São pagos U$5 por metro quadrado, quantia que pode atingir até U$1000.

Aos moradores que desrespeitarem as diretrizes, há quatro advertências, sendo que a primeira consiste na multa de U$50 e a última, U$1000, ocorrência ainda não registrada. Sinais de desperdício, como poças de água, também são passíveis de multa. Ao receber a primeira notificação, deve-se frequentar a escola de conservação de água, assim como acontece com as infrações de trânsito.


Com isso, a expectativa é educar a população com regras simples. Tudo indica que o objetivo tem sido atendido, o que se justifica em parte pela participação ativa da vizinhança em denunciar os casos de desperdício e, em parte, pela incorporação de novos hábitos logo após a primeira advertência.

A eficácia também é transferida ao sistema de irrigação, que funciona por meio de pequenos tubos com furos instalados no solo, no lugar do abastecimento pelas corriqueiras mangueiras. O controle da água expelida baseia-se em medidores de tempo, que evitam o desperdício. Obrigatório, o sistema deve ser instalado com parte do dinheiro recebido pelo morador.

Ainda que incipiente, a iniciativa já gerou bons frutos: 40% de economia na conta de água de cada uma das 200 residências que aderiram à proposta. Para cumprir a meta de reduzir em 20% o consumo de água, Sacramento ainda adotou outras regras. Dentre elas, foi implementado que o morador só regue o jardim ou lave o carro em dois dias da semana a partir das 10h ou depois das 19h. Para as casas com número par, a ação se resume às terças e sábados, equanto às ímpares, quartas e domingos.

A mudança de prioridades e estilo de vida da Califórnia, que encontrou uma saída para cultivar um alto padrão de vida em meio à escassez de água, serve de lição também para o Brasil.


A atual crise da água pelo Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento de São Paulo, traz urgência para a tomada de medidas, como o exemplo de Sacramento. Diversos fatores associados levam cada vez mais a escassez, desde fenômenos climáticos locais; baixos índices de permeabilidade do solo, que impedem que a água da bacia infiltre adequadamente; e por fim, e mais importante, a ausência de gestão preventiva com relação a toda a bacia hidrográfica.



Felizmente, também se multiplicam as atitudes que podem ser tomadas, pela própria população, para reverter o cenário, como sistemas de captação de água de chuva, de reuso de esgoto e a própria redução de desperdício diário.

Fonte: http://www.masterambiental.com.br/artigos/o-que-a-california-tem-para-ensinar-sobre-o-uso-consciente-de-agua

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Lagos ao redor do mundo estão desaparecendo - Climatologia Geográfica

Alguns dias atrás, a NASA publicou surpreendentes imagens de satélite do Mar de Aral, na Ásia Central, que uma vez foi o quarto maior lago do planeta e que ao longo dos últimos 50 anos tem sido praticamente esgotado, como resultado de um esforço da era soviética mal aconselhado a criar fazendas no deserto.
Lagos ao redor do mundo estão desaparecendo
Esse outrora magnífico corpo de água, que se estendia por 68.000 quilômetros quadrados, agora aparece seco, exceto ao longo das bordas.
O lago começou a secar depois que os engenheiros soviéticos começaram a desviar Amu Darya e Sir Dária – dois grandes rios da região – para irrigar fazendas criadas no deserto em 1950 e 1960. A maior parte da água acabou sendo absorvida pela terra seca e foi desperdiçada. “Esta é a primeira vez que a bacia oriental está completamente seca nos tempos modernos”, Philip Micklin, um emérito geógrafo da Western Michigan University, disse.
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Mar de Aral em 1964
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Mar de Aral agora
Mas o Mar de Aral é apenas um dos vários corpos de água em todo o mundo que agora estão secando drasticamente.
Na China, o Lago Poyang, o maior lago de água doce da nação, também está gradualmente recuando devido à seca e a água ser desviada pela Barragem das Três Gargantas.

Enquanto isso, no Irã, o lago Oroumieh, que já foi um dos maiores lagos de água salgada na Terra, diminuiu em 80% na última década, devido às alterações climáticas, a irrigação expandida para fazendas e barragens erguidas nos rios que o abastecem. Rochas cobertas de sal que estavam uma vez no fundo do lago estão agora expostas no deserto, segundo a Associated Press.
O Mar Morto, fronteira com a Jordânia, Israel e Palestina, está em má forma também, de acordo com a Slate. Sinkholes estão se desenvolvendo em torno do lago, devido a fatores que incluem o desvio do rio Jordão para água potável e empresas químicas removendo minerais valiosos da água, fazendo com que os níveis de superfície diminuíam em 30 a 40%.
Na Califórnia, o Lago Cachuma, uma importante fonte de água para as pessoas na área de Santa Barbara, também está diminuindo rapidamente, devido aos efeitos da seca e da demanda de água. E, no Havaí, o lago Waiau está a apenas 2% do seu nível normal de água ao longo dos últimos cinco anos. Os cientistas ainda estão em busca de uma explicação.
No Brasil, a seca também vem causando preocupação principalmente para os moradores de São Paulo, que dependem do Sistema Cantareira, que está em nível crítico.


Fonte:http://ocientista.com/lagos-ao-redor-mundo-estao-desaparecendo/